Publicaremos periodicamente "trechos" do arquivo de Chiara Lubich para
  oferecer, também hoje, uma possibilidade de contato com esta mulher
  extraordinária..

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O que procuras existe

Uma carta de junho de 1944

Irmãzinha minha no Imenso Amor de Deus!

Ouve, te peço, a voz deste pequeno coração! Tu foste ofuscada comigo pela luminosidade ardente de um Ideal que tudo supera e tudo resume:

pelo Infinito Amor de Deus!

Irmãzinha minha: é Ele, Ele é o meu e o teu Deus que criou entre nós um laço comum mais forte do que a morte, porque jamais se deteriora; uno, como o espírito; imenso, infinito, dulcíssimo, tenaz, imortal como o Amor de Deus!

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Amar e ser amado

Castel Gandolfo, 9 de dezembro de 1995

(De um discurso às focolarinas)

O carisma da unidade tem a sua origem em Deus Uno e Trino e no mistério do Verbo encarnado que, na Paixão, vive o abandono. Chiara explica como entrar no dinamismo do amor trinitário.

(…) A vontade de Deus é Deus e Deus é Amor. A sua vontade, portanto, é amor. E é que também nós amemos: a Ele, com todo o coração, com toda a alma, com toda a mente e a cada próximo como a nós mesmos (cf Mt 22, 37-39). 

Também nós, durante a vida, devíamos ser amor: pequenos sóis ao lado do Sol. 

Se, naquela época, a palavra "amor" significava comumente  o sentimento natural que une um homem e uma mulher entre si, ou significava o erotismo; se, em geral, não era usada na linguagem religiosa, que preferia o termo "caridade", mas frequentemente com uma conotação mais restrita de esmola, a manifestação especial de Deus Amor que tivéramos e o contato direto com a Palavra de Deus, nos haviam lançado luz sobre o seu significado cristão. Aliás, logo intuímos que o amor era o coração da mensagem cristã e, portanto, era dever absoluto colocá-lo em prática.

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Com os fracos tornei-me fraco, para ganhar os fracos...

Fevereiro de 1982

Chiara tinha uma predileção por esta palavra de são Paulo pela sua afinidade com a expressão “fazer-se um” que o Espírito lhe sugeriu desde o início de sua aventura espiritual. Segue um comentário feito por ela em fevereiro de 1982.

Comentário sobre a Palavra de Vida:

“Com os fracos tornei-me fraco, para ganhar os fracos...; tornei-me tudo para todos, a fim de salvar alguns a todo custo”. (1Cor 9, 22) 

O apóstolo Paulo tem um modo de se comportar, na sua extraordinária missão, que se poderia definir da seguinte maneira: tornar-se tudo para todos. De fato, ele procura compreender a todos, entrar na mentalidade de cada um, tornando-se judeu com os judeus. E com os não judeus – isto é, com aqueles que não tinham uma lei revelada por Deus – se torna como alguém que desconhece a lei.

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Para sermos um Povo de Páscoa

Sierre, 24 de março de 1994

A Semana Santa é o ápice do ano litúrgico. O texto convida a celebrar e a penetrar nos mistérios centrais da nossa fé também com a vida.

Caríssimas,

Aproxima-se a Páscoa: a maior festa do ano e, com ela, a Semana Santa repleta dos mais preciosos mistérios da vida de Jesus. Vamos recordá-los principalmente na Quinta e na Sexta-Feira Santa, no Sábado de Aleluia e no Domingo de Páscoa. Eles representam para nós os aspectos centrais da nossa espiritualidade. São estes: o Mandamento Novo; a instituição do sacerdócio e da Eucaristia; a oração pela unidade; a morte de Jesus Abandonado na cruz; a Desolada; o Ressuscitado. Nós os celebraremos com a Igreja através da santa liturgia, mas, como o nosso é um "caminho de vida", nos preparamos para honrá-los também com a nossa vida.

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A família e Maria

21 de abril de 1984,

A família: tema altíssimo e frequente no pensamento e na vida de Chiara Lubich. Este escrito de 1984 insere a família no seu desígnio, ou seja, no fato de ela ser, no plano de Deus, igreja doméstica, «morada acolhedora para todos os filhos dispersos».  Olhar para Maria, para viver, segundo o seu exemplo e com a sua ajuda, «o fascinante e luminoso projeto de Deus para a família em todas as suas expressões».

No dia da Anunciação, por ocasião do Jubileu do Ano Santo das famílias, João Paulo II consagrou e entregou a humanidade ao Coração Imaculado de Maria. A coincidência com este acontecimento não é casual. Existem, de fato, profundas relações entre Maria e a família, sem dúvida pelo fato de que tanto uma como outra são grandes conhecedoras do amor. 

Maria conheceu o amor, também no plano simplesmente natural, nos seus mais variados aspectos como filha, noiva, esposa, mãe, embora sendo virgem, e viúva. A família é o reino do amor. Nela nasce, cresce e se desenvolve o amor filial, esponsal, materno, paterno, fraterno. 

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A principal penitência

Mollens, 25 de agosto de 1988

Um novo carisma na Igreja, como aquele que Deus concedeu generosamente a Chiara Lubich, não cancela as práticas cristãs precedentes, mas as interpreta à luz do dom de Deus, a partir da perspectiva evangélica que caracteriza a sua vida.

[…], tive a possibilidade de ler algo a respeito de grandes santos que a Igreja venera e de assistir a alguns filmes sobre eles.

Uma das impressões mais fortes foi constatar a vida de penitência tremendamente dura que muitos deles tiveram, usando frequentemente dolorosos cilícios, fazendo contínuos jejuns, penosas vigílias, silêncios intermináveis, dormindo no chão sobre tábuas. Eles se tornaram santos também com a ajuda dessas penitências

Perguntei, então: e nós, o que fazemos? Não queremos ser santos também?

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O que nos faz cidadãos?

Trento, 8 de junho de 2001

(De um discurso de Chiara ao Conselho Municipal de Trento)

Chiara Lubich coloca a Fraternidade como horizonte «que possibilita pensar em um bem comum de todos os homens, isto é, pensar na humanidade inteira em termos políticos». Disso provém a resposta à questão, que não admite equívocos ou subterfúgios. Com a aproximação do sétimo aniversário do falecimento de Chiara Lubich que, neste ano, será celebrado aprofundando a incidência do seu pensamento na ótica da dimensão política, propomos este trecho para reflexão.

E, finalmente, mais uma pergunta que toca o fundamento mesmo da política: o que nos faz cidadãos? Este é um pensamento que nos leva às origens da reflexão política, que nasce justamente como reflexão sobre a cidade. Aristóteles assevera que o laço político que mantém juntos os cidadãos é a amizade política, uma forma de amizade que ele chama também de "concórdia". 

Ela exige de cada cidadão a capacidade de renunciar a uma vantagem imediata e de trabalhar para obtê-la somente junto a todos os outros. A amizade política, portanto, para Aristóteles, cria um "corpo" político que ultrapassa a esfera da utilidade material, e alcança a dimensão do “bem”. A política, de fato, é uma atividade ética, que exige de todos viver com justiça. É o que diz Aristóteles. 

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