Rocca di Papa, 20 de outubro de 1977

“Tu me amas mais do que estes?” palavras intensas que interpelam profundamente um Papa como Paulo VI, impulsionando-o a dilatar o seu coração segundo a medida do Coração de Cristo, que contém em Si a humanidade inteira.

Ninguém melhor do que o Papa pode dizer quem é o Papa. 

Paolo VI durante uma audiência geral em 1964, perguntou-se: «Quem é o Papa? ...[O Senhor] quis ele mesmo definir a pessoa daquele que ele escolhia como primeiro dos seus discípulos [...] não se chamaria mais Simão [...] seu nome de nascimento, mas Pedro, o nome da sua missão. Daí é evidente que Jesus dava ao seu eleito uma virtude particular e uma missão particular, configuradas uma e outra na imagem da pedra, da rocha; isto é, a virtude da firmeza, da estabilidade, da solidez, da imobilidade, da indefectibilidade, seja no tempo, seja nas travessias da vida; e a missão de servir de fundamento, de pedra angular, de sustentáculo, como Jesus mesmo disse, na última ceia, ao próprio Pedro: “Confirma os teus irmãos”... O pensamento do Senhor é muito claro; e é isto que forma a singularidade e a maravilha do papado. [...] Um milagre de equilíbrio, de resistência, de vitalidade, que encontra a sua explicação na presença de Cristo na pessoa de Pedro!». 

Falando sobre o Papa a 20.000 fiéis em Bombaim, em 1964, Paulo VI explicou: «Se perguntardes: quem é este peregrino? [...] Nós vos responderemos: somos e servo e mensageiro de Jesus Cristo, colocado pela divina Providência como chefe da sua Igreja, como sucessor de S. Pedro, Príncipe dos Apóstolos. Ser mensageiro de Jesus e Chefe da Igreja são, na realidade, uma só função, pois que a razão de ser da Igreja é proclamar e difundir o ensinamento de Jesus e continuar o seu ministério na terra. Esta é a Nossa identidade e a Nossa missão». 

O «Tu me amas mais do que estes?» que Jesus pediu a Pedro constitui o tormento, o empenho contínuo de Paulo VI. Ele dirá várias vezes durante audiências públicas e em outras ocasiões. 

Numa audiência geral de 1965: «... O segredo, que constitui o Nosso pessoal conforto e o Nosso pessoal tormento, está contido e expresso numa simples, mas formidável sílaba, que soa “mais, plus, pléon” , e que Jesus uniu, de maneira tão surpreendente, mas tão luminosa, ao verbo “amar”. [...] Ao primado de autoridade […] Jesus quer  que corresponda um primado de caridade: poder totalmente gratuito, aquele; virtude esta onde um grande dom, uma grande graça, uma grande capacidade de amar deve confundir-se com o maior esforço, o maior impulso do coração humano chamado a tal vértice de amor». 

E ainda: «É preciso estar no lugar de um papa para compreender o quanto esta pequena frase: “Amas-me mais?” seja uma espada que penetra até às juntas dos ossos, dos nervos, até à medula; […] como fazer para saber se alguém ama mais? [...] O que conforta nesta angústia é que se pode amar universalmente […] é repetir: ninguém me é estranho, ninguém é excluído, ninguém – mesmo separado – está longínquo. Cada ser amado está presente». 

Agora já não podemos ter dúvidas: o maior coração do mundo, mais aberto, mais largo, mais semelhante ao coração de Cristo é o coração do Papa. Este milagre operou e operará a palavra de Jesus : «Tu me amas mais do que estes?». Este coração é  digno de apascentar a Igreja porque, tal como uma mãe contém no próprio seio o filho, o Papa contém no seu coração a humanidade. 

E que melhor lugar, para nós fiéis, do que estar naquele coração? 

Chiara Lubich

De Homens a serviço de todos (Cidade Nova - 1978)

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