Sierre, 22 de agosto de 1996

Com o desafio evangélico, que alcança todos os membros do “seu povo” que nasceu do Evangelho, Chiara Lubich é um exemplo para eles: “nós seguimos Jesus?  Não basta”, e nos questiona. 

É necessário percorrer o Seu caminho, o caminho do amor, um amor dinâmico, em contínuo crescimento, aprimorado com quatro modos típicos.  (cf. Palavra de Vida do mês de agosto)

Ela oferece algumas reflexões sobre o amor verdadeiro tiradas dos 365 Pensamentos sobre o amor,  confirmando o convite de ‘crescer como a lua’.

Caríssimos,

(…) 

Creio que todos vocês, que normalmente escutam este pensamento, já procuram viver a frase: "És tu, Senhor, o meu único bem", referida a Jesus crucificado e abandonado, e concluem: "com Maria Desolada".

Esta deve ser a base da nossa vida espiritual para podermos realizar com proveito a nossa santa viagem cotidiana. De fato, de alguma forma nos torna dignos de seguir Jesus. Ele quer que amemos a cruz ("tome a sua cruz") e que nos desapeguemos de tudo ("renegue a si mesmo"). "Se alguém quer vir após mim..." (Mt 16, 24), conhecemos as Suas exigências.

Porém, ainda não fizemos tudo, falta ainda alguma coisa, como já ressaltamos outras ocasiões. 

Não basta seguir Jesus. É necessário saber aonde Ele quer nos levar.

A sua intenção é fazer-nos percorrer a Sua via que é a via do amor.

Amar, portanto, amar sobrenaturalmente, amar a Deus fazendo a sua vontade, e o próximo aplicando os quatro modos que conhecemos: ver Jesus em todos, amar a todos, ser os primeiros a amar, fazer-se um.

Um amor que devemos sempre aperfeiçoar para que seja autêntico e agradável a Deus: "Quem não progride, regride".

Nestas últimas semanas tive em minhas mãos um livro, [W. Mühs, 365 Pensieri sull’amore, Ed. Paoline, Milano 1996.]  que alguém teve a gentileza de me mandar. É muito belo. Também pode servir para fazer meditação.

É uma coletânea de muitos pensamentos sobre o amor verdadeiro, encontradas na Bíblia, nos Santos, mas também de pensadores cristãos ou não, inclusive de pessoas sem fé.

Falando do amor, ele confirma - se ainda fosse necessário - quanto é importante este comportamento e também recomenda que seja aperfeiçoado.

Visto que gostei muito desses ditados, desejo agora que vocês conheçam pelo menos alguns.

Este é de São Gregório Magno: "Podemos progredir com maior resultado no amor a Deus, se antes, no âmago do Seu amor, nos alimentamos com o leite do amor ao próximo".

Afirma Fritz Usinger, lírico e ensaísta alemão (1895-1982): "Quem doa amor, se enriquece com o que dá. Quanto mais doa, mais se enriquece".

Acrescenta Ricarda Huch, escritora alemã (1864-1947): "O amor é a única coisa que aumenta quando é distribuído de mãos cheias".

Diz Mikhail J. Lermontov, escritor russo do século dezenove (1814-1841): "O amor é como o fogo: sem alimento ele se apaga".

E Santo Agostinho: "À medida que o amor crescer em ti, crescerá também a tua beleza, pois o amor é a beleza da alma".

No que concerne à necessidade de melhorar sempre, eis o que afirma Fulton J. Sheen, o famoso bispo e escritor americano (1895-1979): "No reino do amor não existem planícies: ou se sobe ou se desce".

E o Visconde de Ségur, escritor francês do século dezenove: "O amor é como a lua: se não cresce, diminui".

E é possível crescer sempre no amor pois Santo Tomás afirma: "A caridade não conhece limite de crescimento, sendo ela uma participação da infinita caridade que é o Espírito Santo".

Nós já sabemos que temos que amar. No próximo mês insistamos em crescer no amor. Eu gostei da conclusão de uma cartinha que uma focolarina me escreveu. Concluiu assim: "na lua crescente, tua...".

Então, todos nós também: "na lua crescente" e "no Reino do amor sem planícies onde ou se sobe ou se desce".

Durante o dia de vez em quando nos perguntemos: "Eu melhorei no amor para com Deus e para com os irmãos"?

Para com Deus podemos melhorar fazendo as práticas de piedade cotidianas ou cumprindo os nossos deveres de modo cada vez mais perfeito. Para com os irmãos, cada vez que os encontrarmos.

Eu fiz a experiência. É necessária maior atenção à nossa vida espiritual. Mas ela é necessária, senão diminuímos a intensidade do amor e descemos. Melhorar deve se tornar para nós um hábito. É necessário!

Coragem então. (…)

Chiara Lubich

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