A Igreja-comunhão no pensamento de Chiara Lubich. 

[...]
Nos anos em que o Movimento começava, muitas vezes entendíamos por Igreja apenas a edificação de pedras com Jesus no sacrário, Maria, Santo Antônio no altar. Para muita gente, a Igreja era, de certo modo, sinônimo de catecismo, de Primeira Comunhão... Significava também outros Sacramentos, festas do padroeiro; talvez significasse fazer parte da Ação Católica etc. Significava paróquia, o pároco; significava o bispo, o papa, para quem sabia que eles existiam. 
Pelo carisma da unidade e suas exigências, entendemos que a Igreja podia ser também tudo isso, mas era principalmente, no fundo do seu ser, povo de Deus; era comunhão, a Igreja-comunhão.

Posteriormente, o Concílio Vaticano II deu essa definição da Igreja, e foi uma revolução.
E o que significa viver a Igreja como comunhão?
Significa colocar laços de caridade em todas as suas articulações: entre os seus membros; entre as suas realidades (paróquias, dioceses, Movimentos, organizações, conselhos, comissões etc.); com as outras realidades que de algum modo estão a Ela ligadas (outras Igrejas, as diversas Religiões que lhe dizem respeito pela presença das "sementes do Verbo"; outras culturas com os seus valores). 
E tudo isso a nossa espiritualidade ensina e faz viver. 
Além disso, significa colocar a caridade entre dirigentes e fiéis, porque cada dirigente deve fazer que a caridade preceda cada decisão sua (ser também ele "presidente da caridade" em seu campo de ação).
Significa colocar a caridade entre os fiéis e os dirigentes, como essas cartas documentam, que atestam que o Movimento e a Igreja foram também marcados pela comunhão.

Em 1969, escrevi:
"Não foi apenas por um princípio de obediência à Igreja ou por medo de heresia! Era justamente a Igreja que nos atraía a si; ou melhor, era o Espírito Santo em nós que nos impelia a nos reunir com o Espírito Santo que está na Igreja, porque é um único Espírito Santo".

Data também dos primeiros anos do Movimento a seguinte frase:
"Os focolarinos veem a Igreja como uma família em que, mesmo devendo estar cada um em  lugar, em sua vocação, todos devem sentir-se irmãos, pelo amor em Cristo Jesus".
E o conjunto deve estar em obediência a quem detém o carisma da autoridade.
De fato, é um amor obediente o amor que devemos à Igreja, amor que depois retorna, como sempre vivenciamos. Foi uma constante essa nossa atitude para com o bispo.
Escrevíamos  em 1947:

"'Quem vos ouve, a mim ouve'.
Quanta necessidade tem nossa alma, toda dominada pelas vozes do mundo, de ouvir... a Voz do Cristo!
Mas tu não deves pretender que Cristo desça à terra para falar contigo. Ele, quando estava aqui, designou os seus ministros, aqueles que fariam a parte Dele...
Dirija-te a eles com fé!
Combate uma batalha pelo triunfo do Espírito sobre a matéria, pelo triunfo do sobrenatural... Vê no ministro aquele que te traz a voz de Jesus, quem quer que seja ele, sem olhar para os seus eventuais defeitos. A sua palavra é Palavra de Deus.
'Quem vos ouve a mim ouve'! Jesus quer fazer-se ouvir através de seus ministros. Assim Ele estabeleceu. Assim é".

Em 1952:
"Não se deve nem discutir, nem titubear. Somos um somente na Vontade Divina, e o bispo é quem a exprime".
"(...) Somente assim, na unidade entre vocês e com a Igreja, o Ideal invadirá a terra e será uma invasão de amor".
Em 1956:
"Por experiência, podemos dizer que os bispos são diferentes dos outros. Sentimos isso quando contamos a eles a nossa espiritualidade ou quando eles falam. Têm um peso, uma unção  que os diferencia logo de um sacerdote ou teólogo, mesmo santo. Aliá, eles possuem a graça de acertar em cheio o assunto e de explicá-lo amplamente. É o carisma (deles)".
Em 1960:
"Quisera que todos sentissem que possuem uma mãe, sentissem que essa mãe está sempre nutrindo-os, quisera que todas as almas se dirigissem a esse leite genuíno, dado pelo Santo Padre e pelos Bispos, e se saciassem, e dele se apossassem".
De modo que um dia, prorrompeu de nosso coração esta espécie de canto:

"A Igreja, Mãe puríssima, inseriu-nos na sua família, abrindo-nos as portas do verdadeiro Paraíso através dos sacerdotes e dos sacramentos.

Ela nos forjou-nos soldados de Cristo.
Ela nos perdoou e cancelou nossos pecados setenta vezes sete.
Ela nos alimentou com o Corpo de Jesus e selou com um timbre divino o amor de nosso pai e de nossa mãe.
Ela elevou a uma dignidade altíssima 'pobres' homens como nós, e investiu-os do sacerdócio.
Ela, finalmente, nos dará o último adeus: a Deus. Dar-nos-á Deus.
Se o nosso coração não a enaltece, é um órgão apagado.
Se a nossa mente não a vê nem admira, é cega e obtusa.
Se a nossa boca não a exprime, é melhor que nela a palavra feneça".

(de Um Novo Caminho, Cidade Nova, São Paulo, 2004, Pág 56-59)

texto

correio

Contact Icon

Muitas pessoas, em muitos lugares, se encontraram com Chiara. Ficaríamos agradecidos a todos aqueles que nos mandarem recordações, documentos inéditos, fotos...
clique e nos envie

quem está online

Temos 113 visitantes e Nenhum membro online

na livraria

libro folonari-2012

login staff

Este site utiliza cookies, também de terceiros, para oferecer maiores vantagens de navegação. Fechando este banner você concorda com as nossas condições para o uso dos cookies.