Rocca di Papa, 28 de dezembro de 1989

Depois da queda do muro de Berlim, Chiara Lubich – numa conferência telefônica – exorta os membros do Movimento dos Focolares a não ver o mundo dividido entre vencedores e vencidos, mas todos “vencidos pelo amor de Deus” para sermos todos “vencedores” com Ele.

Caríssimos,

Estando o nosso Movimento - por ser Obra de Deus - difundido em todo o Planeta (mesmo que em muitos países ainda sejamos poucos e tenhamos chegado ali há pouco), acompanhamos do Centro da Obra tudo o que acontece no mundo com um interesse especial, com viva participação a fim de compartilhar os sofrimentos provocados por desordens ou guerras; e a fim de compartilhar as alegrias, como nas ocasiões em que o papa, em suas numerosas viagens, suscita nos povos manifestações unânimes de fé e de amor; ou ainda quando um país, após ter sofrido um longo período de tirania, reconquista a liberdade.

Damos enorme importância a todos estes fatos que são notícias de Leste a Oeste, de Norte a Sul. Procuramos manter-nos em comunicação constante com os membros do Movimento em vários países, para sabermos do andamento das coisas, como estão eles próprios, quais os perigos que correm ou as graças que recebem. O Líbano com o seu drama, El Salvador, a Palestina; as várias vicissitudes das nações africanas; a Nicarágua, o Chile e a, Coreia, com o problema da sua unidade, Malta com o seu histórico encontro1, e as Filipinas com suas frequentes dificuldades; a China, o Camboja, a  Colômbia, o Panamá com os atuais acontecimentos, e muitos outros ainda, todos os países estão presentes em nosso coração, com suas provações, esperanças, derrotas e conquistas.
É cada vez mais impelente o forte desejo de poder ir, ao menos um pouco, ao encontro das situações mais dolorosas; fazer alguma coisa, porque - sempre o recordamos - onde quer que tenhamos ido com nosso grande ideal, as pessoas sempre nos disseram: "Este Ideal é feito justamente para nós"; portanto, também para os seus problemas.

Isto reforça em nós o propósito de crescer, crescer com a ajuda de Deus, de multiplicar-nos para darmos também nós uma contribuição positiva à humanidade.
Além disso, nestes dias, são ainda de enorme atualidade os acontecimentos do Leste Europeu, acontecimentos que não deixarão de se verificar mais cedo ou mais tarde, talvez de outro modo, também em outras nações do mundo - se é verdadeiro quilo que afirmamos acerca da casa construída sobre a areira. Como se sabe, a ideologia marxista está presente  por toda a parte.
E em toda a parte - agora de modo especial na Europa Oriental - o Movimento tem uma tarefa específica. Observamos que naquelas nações as pessoas se encontram de modo geral em duas posições: há os que aplaudem a liberdade e estão extremamente felizes por tê-la finalmente alcançado; e há os que sentem o dever de mudar aquele estado de coisas, mas estão em busca de um novo caminho que não rejeite totalmente aquilo em que acreditaram até agora.
Como devemos nos comportar com uns e com os outros?
O nosso Ideal nos chama a amar a todos, a dizer àqueles que reencontraram a liberdade - e isto vale também para o Ocidente e para todos os lugares onde existe a liberdade - o que ela representa realmente: não tanto escolher entre o bem e o mal, mas caminhar cada vez mais em direção ao bem; é assim que podemos nos tornar cada vez mais livres. 
O nosso Ideal nos ensina ainda que a liberdade não consiste em acumular, como faz o consumismo, nem em buscar a felicidade a todo o custo através do hedonismo, da droga, mas que só no amor, na doação é possível ser realmente livre e encontrar a verdadeira alegria.
O nosso Ideal nos impulsiona também a amar com atos, a arregaçar as mangas e a ajudar, por exemplo, aqueles que, na Europa Oriental, têm a tarefa e a vocação de dar à sociedade uma nova ordem política, econômica e social; a colaborar com a Igreja, a ajudar seus dirigentes a reorganizá-la melhor, a incrementá-la. 
E em relação aos outros, o que o nosso Ideal nos leva a fazer?

É preciso, antes de tudo, recordar que a ideologia marxista não teria  fascinado e atraído tanta gente e tantos povos se não tivesse tocado - ainda que baseada em uma doutrina errônea - temas relativos às exigências mais profundas do homem, como a atenção pelas classes pobres, a necessidade de uma visão global do mundo, a exigência de unidade, a paz, a socialidade do homem etc. Ideais que depois claramente se contradiziam com os fatos.
Mas aqueles ideais constituíam e constituem ainda a identidade, a característica de muitos dos que foram por ele atraídos. Ora, aqueles ideais, por aquilo que têm de bom, não deveriam morrer, não devem morrer.
Mas para que isto aconteça é necessário enraizá-los lá onde tiveram a  primeira origem: em Deus, em Jesus Cristo. Nele, que mais que ninguém preferiu os últimos, os pobres, aliás, fazendo-se além de tudo pobre como eles, mais que eles, quando morreu na cruz, completamente despojado de todo bem material e espiritual. Nele, que pregou uma vida social de fraternidade entre os homens, vida que chega a modelar-se até mesmo na vida da Santíssima Trindade. Nele, que personificou a paz mais verdadeira e segura e viveu para que existisse a unidade, a unidade de todos os povos em um só, no povo de Deus que é a sua Igreja, como sinal e símbolo daquilo que deveria ser o mundo.
É preciso lembrar isto.

Vocês não têm a impressão de que, a este respeito, precisamente a este respeito, também neste aspecto, de modo especial nós temos uma palavra a dizer? Não parece que este seja um campo especialmente adequado à nossa evangelização?
Sabemos que, nos países da Europa Oriental, muitos, no turbilhão dos atuais acontecimentos, se perderam, estão desorientados, profundamente desiludidos e deprimidos porque acreditaram, muitas vezes em boa fé, nestes ideais que agora veem ruir.
E então? Enquanto compartilhamos a alegria e o empenho daqueles que, tendo encontrado a liberdade, estão se encaminhando para um futuro diferente, não poderíamos nós ser uma ajuda também a estes outros, garantindo-lhes que nem tudo está perdido, que Deus sabe extrair o bem de cada coisa, que Ele acompanha a história e acompanhou também a deles, que se trata de ver de outro modo aquilo em que acreditaram até agora? Que a unidade é possível, é verdade, mas deste e daquele modo..., que tudo aquilo que sonharam pode se tornar numa maravilhosa realidade, porém não através da luta e sim com o amor e com Deus?
É isto que devemos dizer com a palavra e com a vida. E para tanto nós devemos principalmente ser nós mesmos, cada vez mais radicalmente nós mesmos. Quando Deus, precisamente nesta época, nos doou o carisma da unidade, sabia que este carisma podia ser útil também para todos os problemas atuais.
Sermos portanto nós mesmos, assim como Deus quer que sejamos, amando o belo e o bom como, por exemplo, o desejo e a conquista da liberdade, mas amando também Jesus abandonado naquela porção de humanidade que foi iludida e que agora, desiludida, busca uma saída.
Assim seremos autenticamente cristãos que sabem amar, que sabem perdoar. Assim seremos agentes de unidade, que não podem conceber o mundo dividido entre vencidos e vencedores, mas querem que todos sejam vencidos por Deus, pelo seu amor,  para serem com Ele vencedores.
Então, nos próximos quinze dias levemos em consideração nos nossos grupos, nos nossos cachos, nos nossos congressos, entre os nossos conhecidos ou parentes (utilizando todos os meios: a palavra, as cartas, o telefone, etc.) aqueles próximos mais ou menos afastados de Deus, tentados a se apoiarem nos falsos ídolos do Ocidente, sem nos esquecermos daqueles que mais se assemelham a Jesus abandonado. 
Peçamos ao Espírito Santo que nos sugira as palavras apropriadas para podermos iluminar, corrigir e também consolar.
Lancemos as sementes. Um dia, nós ou outros, colheremos. Isto é evangelizar. Isto fazer agir o Espírito Santo que nos doou o Ideal a fim de que o ofereçamos como remédio aos homens do nosso tempo, aquele Espírito Santo que renova a face da terra e sabe renovar cada porção dela na nós confiada.

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